A influência do blues na música gospel


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O blues está presente na música cristã muito mais do que se pode imaginar. E isso acontece desde a composição de hinos tradicionais a louvores atuais. A influência do blues em uma composição permite que um hino, mesmo que não seja tradicionalmente cantado no estilo de blues, possa ser adaptado a ele de forma natural. 


Nem todos os hinos tradicionais podem ser adaptados ao estilo de blues, mas quando isso é possível, se percebe o poder dessa influência e o quanto de blues se pode imprimir, nos levando a pensar que a composição original foi feita a partir do estilo. Isso acontece principalmente por causa da característica harmônica e, por consequência, todos os outros recursos do blues podem ser aplicados, como ornamentos (blue note), levadas, frases e movimentos pré-definidos, progressões de acordes, progressões de ligação, linhas de baixo e improvisação com a escala de blues.

O objetivo aqui não é abordar a origem do blues nem suas raízes, mas também não podemos deixar de destacar que o blues influenciou quase todos os estilos norte-americanos de forma tal que há quem diga que ele é o pai dos estilos country, R&B, rock-and-roll, jazz, soul, funk, pop e outros, como o gospel que é cantado nas igrejas cristãs.

Desta forma, o blues pode estar presente não somente em sua forma original, mas através de seus estilos derivados. Outra forma de aparição do blues como influência, é quando em alguma música, mesmo que tocada em outro estilo, se aplica fragmentos de movimentos provenientes do blues.


Jazz e blues

Pode-se dizer que o jazz talvez seja mais  conhecido que o blues, porém, de modo geral, muito do que as pessoas pensam ser jazz, na verdade é blues. Por experiência própria – por quase 30 anos de ensino de piano, sendo 10 deles dedicados ao ensino particular online por Skype a alunos de todo o mundo, mas, principalmente, no Brasil – posso dizer que a maioria dos alunos que pede para aprender jazz, depois de eu apresentar um pouco sobre os estilos como jazz, blues, funk e outros, o aluno revela que o que ele pensava ser jazz, na verdade era blues.

O blues tem o poder de alcançar as emoções, e acredito que isso é decorrente do efeito causado pela escala de blues que é uma escala menor aplicada sobre o modo maior. Ou seja, mesmo tocando no modo maior, a melancolia do modo menor está presente. O significado da palavra blues está ligado a tristeza ou melancolia, e, pelo que se conhece da história do estilo, foi criado pelos negros escravos. E isso pode nos ajudar a entender o quanto de emoções tristes e melancólicas o envolvem. Por isso, gosto de pensar que o jazz fascina, mas o blues emociona.

A estrutura do blues envolve basicamente quatro ingredientes principais: ritmo, harmonia, os movimentos pré-definidos e a escala de blues. Nos dois primeiros, temos o que poderíamos considerar como sendo a base do blues, aquilo em que, de forma simples, se percebe o sentimento do estilo pelo ritmo e pela harmonia. Já nos dois últimos ingredientes citados, temos algo voltado para o virtuosismo do blues, relacionado à improvisação como a escala de blues e os movimentos prontos.


O ritmo

Pode-se dizer que a aplicação correta do ritmo de um estilo musical é um pré-requisito para a execução do mesmo. Se as figuras rítmicas aplicadas não forem compatíveis com o estilo que se quer tocar, pode haver uma descaracterização. Em outras palavras, não se pode tocar blues sem o ritmo do blues. E a forma rítmica utilizada no estilo é bem diferente dos ritmos do Brasil. Enquanto usamos o compasso simples para a maioria dos nossos estilos musicais, na América do Norte se usa o compasso composto ou figuras rítmicas ternárias. Isso pode explicar a dificuldade que muitas pessoas têm para executar o compasso composto ou a aplicação de tercinas, também conhecido como sentimento jazzístico (“jazz feeling”).

Já tive experiência de lidar com muitos alunos que, ao tentar aprender o blues ou seus derivados, tiveram imensa dificuldade na execução rítmica. Em geral, isso ocorre quando o músico não tem influências musicais norte Americanas, pois quando se tem a prática de ouvir estilos musicais derivados do blues, o músico internaliza o mundo gospel sentimento rítmico composto ou tercino e consegue aplicar com mais fluidez esse tipo de compasso. Mas existe algo ainda mais difícil, que é quando se aplica figuras tercinas em compassos simples, ou seja, quando são aplicados movimentos ou frases provenientes do blues com uma divisão rítmica tercinada. Como professor, a solução que tenho utilizado com meus alunos para essa dificuldade é alternar exercícios rítmicos de compassos simples e composto, juntamente com o metrônomo, alterando a velocidade do tempo mais lento para o mais rápido gradativamente. 




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Andersen Medeiros é pianista, arranjador e compositor, iniciou seus estudos de piano clássico no curso de extensão da UFAL – Universidade Federal de Alagoas, em seguida migrou para o estudo do piano moderno, em 2010 e 2013 foi palestrante do Congresso de louvor e adoração – LOUVAÇÃO para músicos em igrejas do Estado de Alagoas. Em 2014, em viagem missionária à Cuba teve participação na orquestra norte americana “Celebration” conduzida pelo maestro Camp Kirkland. Hoje, atua como professor do site PianoFlix, uma plataforma de ensino para piano solo e acompanhamento por ouvido. Ensina piano online por skype à alunos no Brasil e no exterior, pianista e líder de músicos na Igreja evangélica Batista El Shaddai em Maceió a mais de 18 anos, e pianista da banda TLB – The Last Band, um projeto embrionário de jazz moderno.

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