Chick Corea + Steve Gadd Band – Chinese Butterfly


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Steve Gadd trabalhou com Chick Corea em muitos ótimos álbuns dos anos  70 e início dos anos 80, e os dois se reuniram de tempos em tempos. Mas essa colaboração completa, registrada em Chinese Butterfly, gera uma magia incrível. A partir da primeira faixa, “Chick’s Chums”, de John McLaughlin, no espírito soul-funk de Gadd e o característico fraseado de Chick, as peças vão em um crescendo, desde os tons acústicos de “Serenity” e “A Spanish Song” aos épicos do elétrico-jazz “Chinese Butterfly”, “Gadd-Zooks” e o clássico de 1972 “Return to Forever.”

 

Gadd é, provavelmente, o mais onipresente baterista de jazz de sua geração, mas não é como um músico de jazz que a maioria vai ouvi-lo. Ele colaborou com inúmeros artistas, levando sua gingada característica e outras sei lá quantas maneiras de tocar, e deixou os amantes de Eric Clapton, Paul Simon, ou “The Hustle”, de Van McCoy, ou “Chuck E’s In Love”, de Ricky Lee Jones, dentre outros, ligados. Gadd foi um dos artistas de estúdio mais quentes dos anos 1970 e 1980. Esse novo álbum dá a ele a chance de retornar ao jazz que, naqueles dias, ocasionalmente tocava.

Chinese ButterflyEm Chinese Butterfly, ele renova sua associação com Corea, onde o baterista ouvido nos grandes discos dos anos 1970 com Jim Hall e George Benson – robusto, ricamente variado e, acima de tudo, relaxado – volta à vida. A colaboração com Chick coloca Gadd onde definitivamente sempre mereceu,  a liderança.

Chick Corea é um dos jazzistas mais importantes desde os anos 60. Sempre inquieto e compositor voraz, nunca descansa sobre os louros, tendo estado envolvido em alguns projetos musicais importantes. E, aparentemente, sua curiosidade musical nunca diminuiu. É um pianista magistral que, juntamente com Herbie Hancock e Keith Jarrett, foi um dos principais estilistas a surgir depois de Bill Evans e McCoy Tyner. Mas, além disso, Corea também é um dos poucos tecladistas elétricos a ser bastante  individual e reconhecível em sintetizadores. Como se não bastasse, compôs vários standards de jazz, incluindo “Spain”, “La Fiesta” e “Windows”.

Chick começou a tocar piano quando tinha quatro anos e, no início, Horace Silver e Bud Powell eram suas influências. Ele adquiriu grande experiência tocando com as bandas de Mongo Santamaria e Willie Bobo (1962-1963), Blue Mitchell (1964-1966), Herbie Mann e Stan Getz. Fez sua estreia em gravações como líder no álbum Tones for Joan’s Bones, de 1968 (com Miroslav Vitous e Roy Haynes). Now He Sings, Now He Sobs é considerado um clássico. Após um breve período com Sarah Vaughan, Corea se juntou a Miles Davis como substituto gradual de Herbie Hancock, permanecendo com o trompetista durante um período de transição muito importante (1968-1970). Foi persuadido por Miles a tocar piano elétrico e esteve em álbuns tão significativos como Filles de Kilimanjaro, In a Silent Way, Bitches Brew e Miles Davis on Fillmore.

Quando deixou Miles, Corea inicialmente tocou jazz acústico de vanguarda em Circle, um quarteto com Anthony Braxton, Dave Holland e Barry Altschul. Mas, no final de 1971, mudou de direção novamente. Deixando Circle, tocou com Stan Getz e depois formou o Return to Forever, que começou como um grupo brasileiro melódico com Stanley Clarke, Joe Farrell e (os brasileiros) Airto e Flora Purim. Dentro de um ano, Corea (com Clarke, Bill Connors e Lenny White) mudou o Return to Forever para uma banda de “fusion” poderosa e com muito ritmo. Al DiMeola ocupou o lugar de Connors em 1974. Embora a música fosse praticamente orientada para o rock, ainda mantinha as improvisações jazzísticas, e Chick permanecia bastante reconhecível, mesmo sob o bombardeio da eletrônica.

Chick Corea + Steve Gadd

Steve Gadd e Chick Corea

Quando o Return to Forever terminou, no fim dos anos 70, Corea manteve o nome de algumas datas de big-band com Clarke. Durante os anos seguintes,  ele geralmente enfatizava sua interpretação acústica e aparecia em uma ampla variedade de contextos, incluindo duetos com Gary Burton e Herbie  Hancock, um quarteto com Michael Brecker, trios com Miroslav Vitous e Roy Haynes, homenagens a Thelonious Monk. e até músicas clássicas. 

Em 1985, Chick formou um novo grupo de fusion, o Elektric Band, com o baixista John Patitucci, o guitarrista Frank Gambale, o saxofonista Eric Marienthal e o baterista Dave Weckl. Para equilibrar sua música, formou o  Akoustic Trio com Patitucci e Weckl alguns anos depois. Quando Patitucci saiu por conta própria no início dos anos 90, o pessoal mudou, mas  Corea continuou liderando grupos bem estimulantes (incluindo um quarteto com Patitucci e Bob Berg). Durante os anos de 1996 e 1997, Corea fez turnê com um quinteto de estrelas (incluindo Kenny Garrett e Wallace Roney) que tocou versões modernas das composições de Bud Powell e Thelonious Monk. Ele continua sendo uma força importante no jazz moderno, e todas as fases de seu desenvolvimento foram bem documentadas em discos.  

 

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Alex Saba é tecladista, guitarrista, percussionista, compositor, arranjador e produtor com cinco discos solo e dois álbuns ao vivo, um com o Hora do Rush e outro com o A&B Duo, com participação de Guilherme Brício, lançados no exterior pelo selo Brancaleone Records. Produziu e  dirigiu programas para o canal TVU no Rio de Janeiro e compôs trilhas para esses programas com o grupo Poly6, formado por 6 tecladistas/compositores. Foi colunista do site Baguete Diário e da revista Teclado e Áudio. www.alexsaba.com.br

 

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