Fender Rhodes: sonoridade incomparável


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Na era de samplers e sintetizadores de grande qualidade sonora, o piano elétrico Fender Rhodes continua presente


Estamos em 2019. E seja no rock, no pop, no jazz, no hip hop, no acid jazz ou em qualquer outro estilo, a sonoridade única do Fender Rhodes está mais popular do que nunca. Segundo grandes músicos, isso se deve ao fato de que ele é perfeito tanto para acompanhamentos quanto para solos. Seu timbre é extremamente suave quando são tocados acordes longos. E curto e encorpado quando percutido rapidamente em solos.

Não existiu nenhum grande pianista ou tecladista que, ao longo desses 50 anos, não o tenha usado pelo menos uma vez. Experiências com o timbre original e limpo foram feitas. Os músicos experimentaram adicionar efeitos como chorus, flanger, delay, distortion e phaser, entre muitos outros, criando sons que variavam do funky ao profundo smoothly.

Para ter uma ideia de como esse instrumento foi explorado e adorado nestes últimos anos de existência, muitos teclados e softwares tentam simular seu timbre original, alguns com considerável sucesso. Igual a colecionadores de carros, ter um Fender Rhodes hoje significa para muitos possuir uma peça de arte!


Ray Manzarek e seu setup com o Rhodes Piano Bass

RHODES – “ARMY AIR CORPS PIANO”

Em 1942, terceiro ano da Segunda Grande Guerra, Harold Rhodes criou um pequeno piano de duas oitavas e meia (29 teclas) com o intuito de ensinar e entreter os soldados que se encontravam enfermos. O pequeno instrumento, construído a partir de velhos canos de alumínio usados no bombardeiro B17, podia ser colocado nas coxas dos pacientes. Ele era totalmente acústico e logo se tornou muito popular entre os soldados.

Alguns poucos milhares foram fabricados e futuramente Harold seria premiado pelo seu feito. Nascia a idéia do piano Fender Rhodes. Após a guerra, a fábrica de pianos Rhodes foi concebida. E, em 1946, Harold apresentou o pré-piano, constituído de apenas três oitavas e meia. Suas peças incluíam as fornecidas por uma fábrica de campainhas, um microfone eletrostático, amplificador e um speaker de seis polegadas. Seu preço era de 99,5 dólares!

Em 1959, na convenção anual da NAMM, Harold Rhodes lançou o Piano Bass, popularizado pelo famoso músico Ray Manzarek, do The Doors.


FENDER RHODES ELETRIC PIANO

Entre os anos de 1959 e 1965, um piano elétrico de 72 teclas, projetado a partir de um baby grand, entra em turnê demonstrativa e chama a atenção de Leo Fender, que compra a companhia. A partir de então ela passa a chamar-se Fender Rhodes. Mas, apesar das experiências de Harold, o Piano Bass ainda era o único instrumento do tipo no mercado.

Durante essa época, Mr. Fender estimula o criador Rhodes a pesquisar e a aprimorar suas ideias. Em 1965, a CBS compra a Fender Rhodes. Harold continua na companhia e nesse período, finalmente, o primeiro Fender Rhodes Eletric Piano começa a ser fabricado.

Os modelos eram constantemente modificados, o que tornava a sonoridade de cada um deles muito peculiar. No início, os martelos e as “cordas” quebravam frequentemente. Quem possuía um Fender, entretanto, aprendia rápido como reparar e restaurar o equipamento.



Rhodes Suitcase Piano

MODELOS CLÁSSICOS

Dois foram os modelos que ficaram mais conhecidos: o Suitcase Piano e o Stage Piano. Ambos pesavam os mesmos 63 quilos. Mas o Suitcase tinha seu cabinete provido de alto-falantes que ultrapassavam os 60 quilos. Seu transporte era feito em cases de vinil ou fibra.

O primeiro deles, o Rhodes Suitcase Piano, fabricado entre 1965 e 1981, possuía 73 teclas, pesava 63 quilos (sem o amplificador) e era equipado com um cabinete composto de dois speakers. O piano não funcionava sem o cabinete, uma vez que a amplificação (ativa) se encontrava nessa parte. Podia, porém, ser conectado a um amplificador externo. O modelo possuía controle de graves e agudos e, em algumas versões, o efeito tremolo.

Esses primeiros exemplares possuíam martelos de feltro. Futuramente, usariam martelos com pontas de neoprene. Em 1970, um mesmo modelo, mas com 88 teclas, estaria à disposição.


Rhodes Stage Piano

Na mesma época, foi lançado o Rhodes Stage Piano, com opção de 73 e 88 teclas. Pesando os mesmos 63 quilos e possuindo saídas mono e estéreo, tornou-se famoso pelo topo arredondado que alguns achavam charmoso e outros, um incômodo, porque impossibilitava que se colocasse outro teclado em cima.

A cada ano, o Mark I sofria modificações. As mais importantes foram na área de afinação e a substituição dos martelos de madeira por plástico. O preço na época variou entre 500 e 1,8 mil dólares. Em 1979, esse modelo seria substituído pelo Stage Piano Mark II, que passaria a ter seu topo reto. Existem significantes diferenças de timbre entre eles, tanto que os softwares e teclados tentam simular cada modelo. Com o desenvolvimento da eletrônica, muitos outros modelos foram fabricados. (Leia mais…)

Para ler toda a matéria de Alexandre Porto sobre o Fender Rhodes e seu legado, acesse a revista digital gratuita Teclas & Afins clicando aqui!).


Alexandre Porto

Pianista, professor, compositor e produtor, com formação em escolas brasileiras e estrangeiras, tem como especialidade o modern jazz, apresentando-se por todo o Brasil, em casas noturnas, shows e eventos.


Teclas & Afins 64 - Marco Bernardo

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