Fundo musical na pregação


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Há alguns anos, não se podia imaginar que a prática de fazer fundos musicais durante a pregação seria uma tendência adotada por quase todas as igrejas e pregadores da palavra de Deus, mas alguns pastores já não se sentem à vontade em pregar sem um fundo musical, seja de teclado, violão ou guitarra, podendo ser com alguns poucos acordes dedilhados ou o solo de um hino conhecido que combine com o tema da pregação

Uma das perguntas que mais se faz hoje é: o que tocar durante a pregação? Muitos alunos e músicos não se arriscam a fazer, mesmo tendo habilidade suficiente, por não ter ideia de como fazer. A verdade é que não existe um estudo ou manual que ensine isso. No entanto, como tudo o que se faz no momento do culto tem um objetivo, podemos encontrar a melhor forma dentro da realidade de cada igreja, sabendo que cada ministério tem uma visão diferente de como proceder no culto.

Gosto de comparar a palavra “visão” com “estratégia”. De acordo com a  estratégia de cada igreja, podemos pontuar o que é ou não possível de fazer no fundo musical da pregação. Fazendo uso da razão, naturalmente vamos descobrir que existe algo que não se encaixa nessa prática e que, definitivamente, podemos enquadrar como inadequado e descartar.

Andersen Medeiros

Por quase duas décadas, tenho tido a oportunidade de fazer fundo musical em pregações e pude observar que, durante esse momento, é possível mudar dinâmica, harmonia, improvisação e tonalidade. Também pude observar a preferência de alguns pregadores. Certa vez um pastor me falou que, durante suas pregações, queria saber a música que eu estava tocando e que eu não deveria tocar de forma abstrata, mas sim o solo completo. Já outros pregadores pedem algo mais sutil e abstrato, quase imperceptível.

Nessa trajetória, cometi alguns erros na execução desse serviço e aprendi que não se pode fazer improvisos “fantásticos” e harmonias dissonantes “surpreendentes”, ou seja, coisas que chamam a atenção para o instrumento não devem ser feitas. Uma boa dica para evitar isso é prestar atenção na pregação e não no que você mesmo está tocando.

O fundo musical na pregação é  algo que deve ser encarado como uma trilha sonora que aponta para a cena que é a parte mais importante do processo, mudando a dinâmica de acordo com o tipo de cena que está acontecendo.

 

Sendo assim, existem momentos na pregação que se toca mais forte, onde a harmonia pode ser mais alegre ou um pouco mais triste, com mais virtuosismo ou até mesmo outras situações que podem surgir. Mas tudo vai depender da capacidade e versatilidade do músico em mudar o sentimento do fundo musical para combinar com o que está sendo pregado.

Dentro do que falamos até agora, gostaria de ensinar, com base em minha experiência, como fazer um bom fundo musical nas diversas situações que acontecem no momento da pregação, por meio de um breve tutorial.

 

Propósito e objetivo do fundo musical na pregação

Antes de tudo, precisamos entender “por que” e “para que” ter um fundo musical em uma pregação. Vamos imaginar uma pregação sem um fundo musical. O que vai acontecer é que, nos espaços entre uma frase e outra, sempre ficará um silêncio. Podemos até dizer que qualquer interferência sonora ou visual tira com maior facilidade a atenção de quem está assistindo, uma vez que tudo ao redor se torna parte do contexto.

 

Sem um fundo musical, a pregação fica vulnerável. Mas, com a base de um instrumento, a pregação fica mais sólida, esse fundo passa a fazer parte da mensagem pregada e esse é o propósito: tornar a pregação mais consistente.

 

O objetivo do fundo musical pode ser a inclusão da dinâmica impressa pelo músico combinando com as situações diversas que podem acontecer e retirando qualquer monotonia da pregação. Isso pode fazer que o objetivo da mensagem pregada seja alcançado, que é a compreensão por parte da igreja. Como meio de comprovação de que a música age em nossa mente como ativador de memória e emoções, gostaria de citar duas situações que vivenciei.

A primeira experiência foi quando uma de minhas filhas tinha apenas 7 anos de idade. Aconteceu que estávamos no carro e resolvi colocar um CD com uma coletânea de músicas. O detalhe é que essa lista de músicas tinha sido criada para uma viagem que fizemos dois anos antes e depois disso nunca mais a ouvimos. Tínhamos até esquecido da existência dessas músicas. Mas, naquele momento, ela começou a chorar copiosamente falando que estava com saudades da viagem. Para mim, o que ficou evidente foi a capacidade de ativação da memória e das emoções por meio da música.

A segunda situação foi quando tive a oportunidade de experimentar o efeito de harmonias de acordes menores em crianças na faixa de 1 ano de idade. Aconteceu que, ao cantar notas de um acorde maior, não foi provocado nenhum efeito visível nas crianças. Mas, ao cantar notas de um acorde menor em sequência, os bebês começavam a chorar. Isso confirma o fato de que as músicas mais penosas que conhecemos são em tonalidades menores, ou em tonalidade maiores com eventos dissonantes de acordes menores de repouso. O fundo musical de quando surgem na TV as notícias de última hora, com caráter de urgência e suspense, nos deixa em estado de  alerta para saber o que houve.

Também é fácil saber o que uma música instrumental quer dizer, por meio dos eventos de harmonia, ritmo e dinâmica, pela emoção em nós gerada. Da mesma forma que o fundo musical, quando bem aplicado, pode contribuir para dar uma evidência favorável a pregação, o contrário é verdadeiro. Apesar de tantos recursos que podem ser aplicados, o fundo musical nunca deve chamar a atenção para si, mas se tornar um só com a pregação.

 

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