Gerador de envelope no filtro


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Como usar o EG para controlar o filtro na síntese subtrativa, em um processo que proporciona resultados dinâmicos impressionantes


Quando o gerador de envelope é aplicado ao filtro do sintetizador, consegue-se produzir variações dinâmicas de timbre – isto é, fazer que a composição harmônica se modifique ao longo da execução da nota – que também produzem alterações na dinâmica da amplitude. A capacidade de criar variações dinâmicas de timbre permite obter sonoridades mais realistas quando se deseja imitar determinados sons acústicos, em que a qualidade timbral se modifica no decorrer da nota.

Mas os resultados mais interessantes da interação EG-filtro ocorrem quando esse recurso é orientado para produzir timbres novos e inusitados, explorando o universo sonoro puramente sintético.

Figura 1 – Filtro com EG

A Figura 1 mostra o filtro do Nord Lead, que dispõe de um EG específico e exclusivo, o que proporciona grande flexibilidade e possibilita uma ampla diversidade de resultados. Mas, em alguns sintetizadores, como no pequeno e famoso Roland SH- 101, o EG do filtro é compartilhado com o amplificador (Figura 2) e, por isso, a dinâmica obtida em ambos os módulos (VCF e VGA) descreve sempre o mesmo padrão. Embora isso seja uma limitação, não impede de produzir timbres também interessantes – senão o SH-101 não seria tão famoso!


Envolvendo o filtro

Figura 2 – EG comum ao filtro e ao amp
Figura 2 – EG comum ao filtro e ao amp

Já apresentamos os conceitos do gerador de envelope na Edição 71 de Teclas & Afins, quando abordamos o EG controlando a amplitude do som. Quando o EG é aplicado ao filtro, os resultados são bem diferentes, mas o princípio básico de funcionamento é similar: quando uma tecla é pressionada no sintetizador, o EG dispara um sinal constituído de quatro estágios no decorrer da execução da nota: o attack (ataque), o decay (decaimento), a sustentação (sustain) e a liberação (release) – lembrando que esse sinal produzido pelo EG não é um sinal audível, mas sim um sinal de controle.

No filtro, o EG pode ser aplicado, basicamente, com duas finalidades. A mais comum é usá-lo para controlar a frequência de corte (cutoff frequency) do filtro, e é o que existe na maioria dos sintetizadores. Mas existem sintetizadores mais versáteis, em que o EG também pode controlar a intensidade de ressonância (resonance, emphasys) do filtro. Quando o EG é usado para controlar a frequência de corte, o sinal do envelope determina o comportamento dinâmico que o valor da frequência de corte vai ter no decorrer da nota. Em outras palavras, o “desenho” do sinal do EG define como o valor da frequência de corte vai variar ao longo da execução da nota de tal maneira que, quanto mais o sinal do EG for para cima, mais alto será o valor da frequência de corte do filtro, e quanto mais ele for para baixo, menor será aquele valor (Continua…)

Para entender como o EG pode atuar na frequência de corte, acesse gratuitamente a Edição 72 de Teclas & Afins clicando aqui!


Miguel Ratton

Graduado em engenharia eletrônica pela UFRJ, atua há quase trinta anos em projetos e manutenção de equipamentos de áudio e de MIDI, e em projetos de sistemas de sonorização e acústica de estúdios e auditórios. Atualmente também leciona cursos de síntese sonora, áudio e acústica da Yellow (Curitiba). É autor dos livros “MIDI – Guia Básico de Referência”, “Dicionário de Áudio e Tecnologia Musical”, “Fundamentos de Áudio”, dentre outros. Para saber mais, visite ratton.com.br e facebook.com/m.ratton.eng.tec


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