Jazz na igreja – improvisação com escalas


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Andersen MedeirosEm muitos casos, tocar jazz na igreja parece um objetivo quase absoluto da maioria dos músicos, apesar de muitas vezes eles não saberem distinguir exatamente o jazz de outros estilos musicais

Alguns alunos meus que queriam aprender jazz, ao ouvirem blues afirmaram que, na verdade, era isso que eles queriam: blues. Acredito que o desejo que existe nos músicos é de tocar de forma virtuosa tanto acordes quanto escalas.

Tocar jazz é muito mais que aplicar acordes avançados ou escalas dissonantes.

É possível tocar jazz em outros estilos. Por exemplo, a Salsa que é conhecida como jazz latino e a bossa nova é conhecida como jazz brasileiro.

A sonoridade do jazz é marcada não somente pelo som dissonante, mas também pelas tensões consonantes. Os acordes de uma música simples, apenas com tríades, podem soar mais próximos do jazz quando se aplicam tensões como sétima, nona, décima primeira e décima terceira. Da mesma forma que os acordes, a improvisação com escalas pode ter um sentimento “jazzístico”, e nem sempre precisa ser dissonante.

Em geral, poderíamos dizer que jazz é a capacidade de manipular as tensões, acordes e escalas consonantes e dissonantes de um campo harmônico. Para um músico iniciante ou de nível intermediário, tocar jazz parece algo muito distante, ainda mais para aqueles que iniciam sua prática na igreja. E para quem toca o padrão de música gospel dentro das igrejas nos dias de hoje, se torna mais difícil ainda tocar algo parecido com jazz. Isso porque aplicar uma sonoridade “jazzística” em uma harmonia consonante e composta por poucos acordes de tríades simples, não combina com a dissonância do jazz.

Quando se tem uma música tradicional com progressões de acordes previsíveis como a conhecida progressão IIm-V-I, e outras passagens de acordes com intervalos de quartas, torna-se mais fácil mudar a sonoridade para algo sofisticado. 

tocar jazz na igreja nem sempre é possível, pois implica em mudar a característica da música, como a aplicação de contratempos no ritmo e dissonâncias de jazz. Esses recursos musicais dão uma sensação de movimento chamando a atenção do ouvinte e, como já falamos em edições anteriores de Teclas & Afins, isso não é adequado dentro da igreja, pois poderia desvirtuar o objetivo da música de culto que, ao contrário do jazz, é mais previsível tanto no ritmo quanto na harmonia e na melodia.

 

 

Como um ponto fora da curva, existem igrejas que fazem uma música mais sofisticada com harmonias avançadas, cheias de tensões dissonantes, e um ritmo popular que dá evasão a criatividade “jazzística”. Mesmo assim, existe um limite que separa o individualismo musical do coletivo e é preciso saber até que ponto se  pode ir sem agredir a característica musical do ambiente religioso.

Para muitos, o maior desafio não é se conter para não ultrapassar os limites, pelo contrário. Antes disso, o maior desafio é saber ao menos algo que possa ser um ponto de partida para uma prática mais sofisticada ou qualquer coisa próxima do jazz. O desafio continua quando se busca aprender de forma consciente cada aplicação de harmonia avançada ou improvisação com escalas e, em outras palavras, saber o que se está fazendo.

Essa foi uma das minhas buscas quando iniciei minha jornada musical na igreja, com sede por saber como tocar jazz, como improvisar com escalas ou rearmonizar. E a verdade era que eu não tinha ideia do quão incompatível era a música que eu tocava com a música que eu queria, no caso, o jazz.

Depois de muitos anos cheguei à conclusão que um músico completo é aquele que sabe um pouco de tudo e, ao mesmo tempo, muito de um pouco. Vou explicar: quando falo um pouco de tudo, quero dizer que é importante o músico conhecer vários estilos musicais e suas harmonias. Ter uma base mesmo que de forma superficial para que, quando solicitado, não passe em branco. Por exemplo, é importante o músico saber o básico – como uma levada rítmica e uma noção da harmonia – utilizado em cada estilo como os ritmos latinos de salsa, samba ou bossa. E quando falo que o músico completo também precisa saber muito de um pouco, quero dizer que é importante escolher um ou dois estilos para se aprofundar e assim se tornar um especialista.

Naturalmente, com o passar dos anos e a depender da área de atuação, o músico se desenvolve em quase todos os estilos, por exemplo, quando grava com frequência em estúdio para diversos artistas ou quando participa de uma banda que toca diversos estilos. Enfim, tocar de forma virtuosa vai um pouco além do jazz.

Gostaria de aproveitar essa atmosfera de busca pelo jazz e trazer algumas soluções que podem  servir de ponto de partida para quem deseja aprender ou, para quem já tem algum conhecimento sobre o assunto, um esclarecimento. Vamos mudar a sonoridade de uma música aplicando acordes avançados para dar um sentimento “jazzístico”.

A música a qual vamos aplicar acordes avançados é “Lindo  És”, canção com característica harmônica menos previsível por ser uma música atual e com acordes simples. Observe que depois de aplicar acordes com tensões, mesmo que consonantes, a sonoridade soa mais “jazzística”.

 

 

Para ver as explicações de Andersen Medeiros de como improvisar sobres escalas e imprimir uma sonoridade jazzística à música da Igreja, acesse gratuitamente a edição 46 da revista digital Teclas & Afins!

 

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