Jupiter-8, o eterno deus no panteão dos sintetizadores


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O legado da linha Jupiter se deve em grande parte à sua arquitetura de voz e programação únicas, que permitiam a criação rápida de sons tão irreais, autênticos e incríveis que não podem ser explicados com palavras: precisam ser ouvidos para serem compreendidos!

 

Na mitologia romana, Júpiter era o rei dos deuses e a maior e mais poderosa das divindades do panteão, grande protetor de Roma, considerado o deus do céu, da chuva, da luz e do raio. O Jupiter sintetizador, acabou também se tornando o deus absoluto no panteão de sintetizadores Roland. Oferecendo uma ampla gama de sons, uma interface eficiente e construção robusta, o Jupiter foi o principal sintetizador da marca durante toda a primeira metade da década de 1980, e é um instrumento desejável mesmo após mais de 35 anos de seu projeto inicial.

Um Jupiter-8 em bom estado ainda obtém muito mais lances em um leilão na internet, do que a maioria dos novos sintetizadores. E o som característico dele pode ser ouvido tanto em clássicos do início dos anos 80 como em hits contemporâneos, pois continua sendo usado em gravações.

 

O difícil nascimento do Jupiter-8

A série Jupiter nasceu em um mundo hostil, dominado por dinossauros poderosos como o Prophet 5, da Sequential Circuits, o OBX, da Oberheim, a série PS3000, da Korg, e o CS80, da  Yamaha. Quando o primeiro Jupiter foi lançado, em 1978, se comparado a qualquer um desses modelos, não parecia que resistiria por muito tempo.

O Jupiter-4, o primeiro da série, apresentava um único VCO por voz, ao passo que os gigantes de então ofereciam no mínimo dois ou até três VCOs, como era o caso do PS3300. Isso fazia o som do primeiro Jupiter parecer muito mais pobre  quando comparado a esses concorrentes top de mercado. O modelo tinha apenas quatro oitavas, enquanto a maioria dos teclados profissionais da época já vinham com cinco, e, para piorar, oferecia apenas quatro notas de polifonia, metade das oito notas que os Yamahas ofereciam. E quando a Korg lançou a linha PS com 48 vozes de polifonia, o Jupiter-4 ficou parecendo brinquedo de criança. O teclado não era sensível ao toque, e o CS80 da Yamaha já oferecia teclado com sensibilidade de velocidade e aftertouch. Para completar, oferecia uma memória pobre inclusive para os padrões da época. Apenas 10 presets e espaço para míseros oito patches de usuário.

Não importa o angulo pelo qual se observe: o JP4 sempre irá parecer um teclado modesto  quando comparado aos top de mercado do final dos anos 70, e, nesse sentido, não emplacou. Mas, claramente, a Roland não tinha inicialmente a intenção de concorrer com esses gigantes. Afinal, como o SH1000 e o SH2000, o Jupiter-4 havia sido projetado para ser usado em  cima de um órgão. Mas não subestime um Jupiter, nem mesmo um Jupiter-4.

O primeiro sintetizador da série Jupiter foi nada menos que o primeiro sintetizador analógico verdadeiramente polifônico da Roland, em uma época em que polifonia era ainda um luxo para muito poucos, em um reino ainda dominado pelos sintetizadores monofônicos. O “4” de  Jupiter-4 significava justamente o número de vozes que ele era capaz de reproduzir simultaneamente. Para  tal, contava com quatro VCOs.

Possuía um irmão menor e mais econômico, o Promars, uma versão monofônica com apenas dois VCOs e função de memória idêntica ao Jupiter-4. Na realidade, tanto o Jupiter-4 quanto o Promars não soavam como os outros sintetizadores da série Jupiter que estavam por vir, pois tinham ainda muita coisa do SH, sendo mais uma transição entre as linhas, e, por isso, realmente tinha um outro som, muito mais pobre.

Mais eis que então, em 1981, A Roland literalmente “chuta o pau da barraca”, e apresenta uma versão melhorada denominada Jupiter-8. Talvez ninguém pudesse imaginar que essa máquina reinaria absoluta no universo dos sintetizadores durante pelo menos meia década, desde o início até a metade dos anos 80.

Quando foi lançado, o Jupiter-8 não era exatamente uma opção barata, mas compensava em recursos que faziam seu preço – de cerca de US$1750.00 na época – valer realmente a pena. O “8”, como o “4” no JP-4, denota o número de vozes, e com dois osciladores por voz, totalizando 16
osciladores analógicos, polifonia de oito vozes e programação fácil e intuitiva, esse monstro analógico subtrativo era capaz de produzir timbres verdadeiramente formidáveis.

 

Para ler a matéria completa de Jobert Gaigher, saber tudo sobre o Jupiter-8 e  ouvir seus timbres icônicos, acesse gratuitamente a edição 42 da revista digital Teclas & Afins!

 

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