Kenny Barron – O pianista mais lírico da atualidade


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Um dos maiores jazzistas de todos os tempos fala a Teclas & Afins sobre sua paixão por música brasileira, seu mais recente álbum e os caminhos do estilo a que dedicou sua vida


Por mais de 50 anos o nome Kenny Barron tem sido sinônimo de toque elegante, bom gosto e precisão rítmica, uma mistura rara de groove e sofisticação, capaz de silenciar um grande teatro com uma balada e trazê-lo de volta à vida com seu suingue.

Kenny Barron - Teclas & Afins

Kenny Barron nasceu em 1943, na Filadélfia e iniciou os estudos de piano cedo. Quando adolescente, iniciou a carreira profissional com a orquestra de Mel Melvin. Em 1959, conheceu o baterista Philly Joe Jones, enquanto ainda cursava o ensino médio. Aos 19 anos, mudou-se para Nova York e foi freelancer com Roy Haynes, Lee Morgan e James Moody depois que o saxofonista o ouviu tocar no Five Spot.

Após a recomendação de Moody, Dizzy Gillespie contratou Barron em 1962, sem sequer ouvi-lo tocar. Foi na banda de Dizzy que Barron desenvolveu uma apreciação pelos ritmos latinos e caribenhos. Depois de cinco anos com Gillespie, Barron tocou com Freddie Hubbard, Stanley Turrentine, Milt Jackson e Buddy Rich. O início dos anos setenta marcou seu trabalho com Yusef Lateef, que o pianista afirma ter sido uma influência fundamental em sua arte para a improvisação. Encorajado por Lateef, foi em busca de uma educação universitária. Barron fez uma turnê equilibrada com os estudos e concluiu seu bacharelado em música pelo Empire State College.

Em 1973, se juntou ao corpo docente da Universidade Rutgers como professor e ocupou o cargo até o ano 2000, orientando muitos dos jovens talentos de hoje, incluindo David Sanchez, Terence Blanchard e Regina Bell.


Kenny Barron em disco

Somente em 1974, Barron gravou seu primeiro álbum como líder, intitulado Sunset To Dawn, aos quais se seguiram mais de 40 outros. Após os trabalhos com Ron Carter no final da década de 1970, Barron formou um trio e colaborou com o grande saxofonista Stan Getz, excursionando com seu quarteto e gravando vários álbuns lendários, incluindo Anniversary, Serenity e People Time, ganhador do Grammy. Também durante os anos 80, fundou o quarteto Sphere focado na música de Thelonious Monk e em composições originais inspiradas por ele.

Concentric Circles - Kenny Barron

Em 2005, foi inserido no American Jazz Hall of Fame e ganhou um prêmio MAC Lifetime Achievement. Além disso, é seis vezes vencedor do prêmio de Melhor Pianista pela Jazz Journalists Association e foi finalista do prestigiado Jazz Par International. Suas gravações lhe renderam nove indicações ao Grammy, começando em 1992 com People Time, com Stan Getz, seguido pelo brasileiro Sambao e, mais recentemente, por Freefall, em 2002. Outras indicações ao Grammy foram para Spirit, Song, Night and the City (dueto com Charlie Haden) e Wanton Spirit, registro em trio com Roy Haynes e Haden, gravações que receberam indicações duplas, por álbum e por performance solo.Seu CD Canta Brasil conectou Barron ao Trio da Paz em um festival de jazz e foi aclamado como um dos 10 melhores álbuns de 2003. Recentemente, Kenny Barron lançou Concentric Circles, já aclamado como uma nova obra-prima.

Conversamos com o pianista em sua recente vinda ao Brasil para se apresentar no Bourbon Street, em São Paulo, e no Bourbon Festival Paraty. Confira!


Você tocou com Stan Getz, Dizzy Gillespie e Milt Jackson, entre muitos outros. Poderia falar de como foi influenciado por eles e como influenciou esses artistas?

Bem, não sei se os influenciei, pois eu era muito novo, mas certamente fui influenciado por eles. Quando me juntei ao Dizzy eu tinha apenas 18 anos. Ele sabia muito de harmonia e tocava piano muito bem. Aprendi muito ouvindo e observando constantemente, vendo-o tocar acordes. Ele era muito generoso e me dava dicas de como tocar certos acordes, como utilizar determinados voicings. Certa vez, estávamos em uma gig bem vazia e ele tocou piano durante o último set inteiro. Eu pude vê-lo tocando piano com sua própria banda! (risos) Com Stan Getz, também aprendi muito. Ambos gostávamos de melodias. Quando toquei com Ron Carter, por 14 anos, aprendi muito sobre dinâmica, como tocar suave e mesmo assim soar intenso! Sempre estava aprendendo muito, com todo mundo… Com Yusef Lateef aprendi a tocar livremente: as únicas coisas que ele exigia eram estar no horário e não usar drogas! Outra coisa é que ele me fez voltar para escola: voltei para a universidade para cursar a graduação e logo estava lecionando! (Leia mais…)


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Teclas & Afins 64 - Marco Bernardo

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