Música grátis! Wow!


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músicagratis - Teclas & AfinsO debate sobre música grátis já vem acontecendo há mais de uma década, e ainda não há resposta que agrade aos dois lados

 

 

Quando o sujeito encontra um site que tem um álbum de 1966, que não foi convertido para CD, disponível para download “de graça”, ele baixa e se sente grato ao dono do blog, ao Google onde ele fez a pesquisa, à empresa que fabricou o monitor onde ele pôde ver isso, à que fabricou as caixas de som, o computador, a mídia para onde ele copiou, à operadora de internet que dá o acesso para ele “chegar lá” e também ao músico… em uma situação ideal.

Só que nada é completamente “de graça”. Se você não quiser considerar o aparelho que você pagou para acessar a internet, você está pagando uma operadora de internet ou de telefonia para usar o celular e acessar a música “de graça”.

Outra empresa está pagando por publicidade para chegar até você, dinheiro que ajuda o Google, e todos os outros, a continuarem “no ar”. Tem dinheiro para todo lado, mas o ouvinte não tirou  dinheiro do bolso para ter acesso especificamente à música, e ele se acha no direito de ouvir essa música do mesmo jeito.

Você liga o rádio do carro e pode escolher uma estação qualquer da sua cidade. Você pode ligar a televisão e assistir ou ouvir um canal de música qualquer ou você pode ir ao YouTube ou a algum outro “gratuito” e escolher uma das milhares de playlists de algum artista e ficar ouvindo.

Rádio, televisão e internet se parecem, mas – claro – são coisas diferentes. Nos primórdios, o rádio era considerado mais puro. Até chegarem os jabás e as outras formas de suborno aos programadores. Claro, havia alguns programas alternativos, mas tudo em prol da audiência, que ouvia os comerciais dos patrocinadores. Grátis para você, mas tinha alguém que pagava os custos daquilo ir ao ar. Na televisão, a coisa nunca foi considerada assim tão pura. O artista tinha que ter visual e programa de música era com as músicas e artistas que interessavam às gravadoras divulgarem. E elas pagavam ao canal para isso.

Na TV a cabo, a coisa piorou. Os canais de música daqui do Brasil não pagam o direito autoral aos artistas. Depositam em juízo e fica aquela briga de ECAD (Escritório Central de Arrecadação) para cá e para lá. A OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), para variar, não se manifesta. Aliás, ela pouco se manifesta, salvo para cobrar anuidades, mas isso é outra história. Por fim, a internet: alguém coloca um disco velho em vinil em um site, você acha, baixa e pronto: música grátis.

Caramba! Nada é de graça! Você pagou para conseguir acessar a internet e se o cara te cobrar R$1,00 para você baixar o álbum, a maioria vai procurar outro lugar que não cobre nada, simplesmente porque tem. Se eu entrasse em uma loja de CD e saísse com um disco embaixo do braço, seria preso. Se eu baixo um álbum novíssimo que vazou na internet, ninguém me pune.

No exterior, tentam dar alguns  exemplos, mas as autoridades caem no ridículo ao punirem exemplarmente o usuário e acabam só mostrando para mais gente que existe muita coisa disponível ao divulgarem o caso (certa vez coloquei no meu site uma música para ser baixada de graça. Eu, como artista, estava dando aquela música para quem quisesse. Bem, um cara esperto colocou um link no site dele que cobrava US$0.99 para quem quisesse baixar a música. O link apontava para o meu site…).

 

Opinião?

The Heist

David Byrne acredita que a internet “vai sugar o conteúdo criativo de todo o mundo” e que romper com ela seria um ganho para toda a humanidade. Um editorial escrito por Tim Kreider para o “New York Times” chamado “Slaves of the Internet, Unite!” (“escravos da internet, uni-vos!”) dá voz à frustração de artistas do mundo todo que estão cansados de ver seu trabalho passar desvalorizado (tanto monetariamente quanto em outras esferas). Thom Yorke tirou todo o catálogo do Atoms for Peace do Spotify, e recebeu muita atenção com isso, porque acreditava que música em “streaming”, de graça na internet, dificultava que bandas novas decolassem. E, ainda assim, há muitos artistas novos que estão usando a “música de graça” como uma oportunidade, e que veem serviços de música em “streaming” como seus aliados.

Há alguns anos, Macklemore e Ryan Lewis conseguiram chegar ao primeiro lugar do iTunes e do Spotify ao mesmo tempo com The Heist. Longe de estar canibalizando suas vendas, o “streaming” parecia estar alimentando os downloads pagos. Muitos outros artistas independentes estabeleceram suas carreiras na última década incentivando fãs a ouvirem de graça ou mesmo compartilhar arquivos de sua música. É claro que esses artistas sempre acharam um jeito de transformar esses fãs em clientes pagantes. Mas dar acesso gratuito às músicas foi o que deu a essas bandas a chance de ter fãs.

O que você pensa desse assunto? Você acha que a maioria dos artistas “morre de exposição”? A música de graça está ajudando a conseguir mais fãs? Talvez um pouco dos dois? Conte para nós!

 

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