O fim do Focus…e o retorno


A banda holandesa liderada por Thjis Van Leer lança um novo álbum, Focus 11, como parte das comemorações de 50º aniversário e prova que continua na ativa, supreeendente e progressiva.


Mother Focus, de 1975, foi o último (e mais incompreendido) álbum da banda holandesa Focus. Suas boas músicas assustaram na época pelo sotaque pop imposto pelo baixista Bert Ruiter, reunindo suas duas principais personalidades: Thijs Van Leer e Jan Akkerman. Depois deste álbum, Akkerman se despediu do grupo para se dedicar a seus álbuns solos e como músico de estúdio. Thijs Van Leer ainda lançou um derradeiro álbum da banda com o excelente – mas completamente deslocado guitarrista belga Philipe Catherine e o infeliz cantor Proby.

Jan Akkerman é conhecido por seu virtuosismo como guitarrista e… seu ego. Em um programa da TV holandesa, em que era um dos convidados, ao ser questionado sobre o fim do Focus, respondeu: “Não aguentava mais tantas viagens pelo mundo – reclamação comum de vários músicos – ficando tanto tempo longe de minha terra natal. E também não aguentava mais ouvir tanto ‘yodel’ no palco” – uma referência maldosa à Thijs Van Leer e as “enésimas” vezes em que tiveram que tocar “Hocus Pocus”. Essa música se tornou o hino do Focus. Em suas apresentações ao vivo, Jan Akkerman sempre arruma um jeito de encaixar “Hocus Pocus” no final de alguma outra canção. Mesmo Thijs Van Leer, em suas apresentações com o grupo de worldmusic “Conxi”, improvisava a parte cantada de “Hocus Pocus”.

Mas o desentendimento entre os dois músicos é um fato. Acusações pesadas entre eles por meio da imprensa só pioraram as coisas. Mas, em 1984, ouve uma reconciliação – pelo menos momentânea. Foi durante a gravação do álbum solo de Jan Akkerman, From The Basement, ocasião em que ele convidou, por motivos desconhecidos, Thijs Van Leer para uma das faixas. Esse convite resultou na gravação do álbum Focus – Jan Akkerman & Thijs Van Leer, de 1985. O álbum realmente é muito interessante, principalmente por relembrar o estilo do velho e bom Focus, com os dois tocando a maioria dos instrumentos em músicas inéditas. Mas a aproximação dos dois não durou. Até um clipe da música “Russian Roulette” foi produzido, em que é possível ver um Jan Akkerman tocando visivelmente contrariado.

Durante a década de 1980, Jan Akkerman, um “workaholic”, lançou vários álbuns solos. Thijs Van Leer continuou com seus Introspections, uma série de álbuns muito adocidados, comerciais, de clássicos, onde toca apenas flauta, deixando bem claras suas raízes, a escola clássica. Também devemos mencionar a morte de Rogier Van Otterloo que sempre conduziu as orquestrações dos álbuns de Thijs Van Leer. Van Otterloo morreu muito novo, de câncer. Deixou um filho com o nome de Thijs, prova evidente de sua amizade.

Na metade dos anos 90, mais precisamente no fim de 95, surgiram boatos da volta do Focus, sem Jan Akkerman na guitarra. Muitos torceram o nariz, pois ele era praticamente 50% do grupo, um músico virtuose e multi instrumentista que passeia com desenvoltura por qualquer estilo, jazz, clássico, pop, rock… Para a grande responsabilidade de ocupar o lugar dele, Thijs Van Leer chamou um rapaz de 21 anos chamado Menno Gotjes, um guitarrista recém-formado. Para o baixo foi convidado, outra vez, Bert Ruiter, da fase mais famosa do Focus. E, para a bateria, voltaria Hans Cleuver, da primeira formação, já que Pierre Van Der Linden estava “empregado” como baterista de um grupo de jazz holandês chamado Advanced Warning, e também não “morria de amores” por Bert.


Thijs Van Leer e Jan Akkerman

Em um especial gravado para a TV holandesa alguns anos antes, durante um workshop com a participação do grupo cigano The Rosenberg Trio e JanAkkerman em um conservatório holandês, por incrível coincidência, podemos assistir Menno tocando ao lado do mestre Akkerman. Mal sabia ele que anos depois seria cotado para substituir o próprio no famoso Focus. Por sua vez, Jan Akkerman, quando soube que Thijs Van Leer estava preparando um novo Focus, prontamente lançou um CD duplo excelente chamado 10.000 Clowns On A Rainy Day, que consistia em 90% de músicas do Focus tocadas ao vivo por sua competente banda. Isso parece que foi como um balde de água fria no projeto de Thijs Van Leer.

O que aconteceu em seguida, durante 1997 e 1998, foram informações desencontradas de turnês e apresentações do novo Focus para a imprensa holandesa, turnê essa que nunca aconteceu. Outros boatos diziam que não tinham conseguido sequer contrato com uma gravadora para produzir o novo CD, carro chefe para a possível turnê. O mais provável foi que Thijs Van Leer se desentendeu com Bert Ruiter novamente, pois quase a totalidade do que seriam as novas canções eram de autoria de Van Leer, o que deixou Ruiter irritado.

Por sua vez, Maurice Hermans, o novo empresário e filho de um conhecido apresentador holandês, abandonou o grupo. Mais boatos seguiram, agora mais graves: Thijs Van Leer estaria sofrendo de diabetes. Em um telefonema dele à Jan Van Beek, fundador do fã-clube oficial do Focus nos anos 70, ele desmentiu, afirmando estar com a saúde perfeita. Akkerman reiterava não querer nem ouvir falar em Focus ou coisa do gênero, e continuava a todo vapor com suas apresentações em terreno holandês.


The End

Em 1998, Maurice Hermans, empresário para a volta do novo Focus, fez contatos no Brasil para saber sobre as condições de apresentações aqui e no Chile. Foi a maior frustração para os fãs, quando o projeto desandou e mesmo a apresentação deles no Chile foi cancelada, mas havia interesse em um festival por aqui e a embaixada da Holanda queria vê-los tocando no Brasil.

Thijs Van Leer lançara um álbum com a Orquestra Sinfônica de Amsterdam chamado The Glorious Album, que teve muita repercussão na Holanda e foi lançado em CD e VHS. O projeto contou com a participação da cantora Letty De Jong que sempre o acompanhou nos álbuns Introspection. Isso era a motivação para o show por aqui.

Anos antes, Jan Akkerman havia dito que não voaria mais de avião, fazendo apresentações somente na Holanda, mas mudou de ideia e se apresentou várias vezes em solo inglês – país sede da sua homepage oficial, mantida por David Randhall. No show realizado no clube Alexanders, na cidade inglesa de Chester em 27 de julho de 1998, Akkerman apresentou sua nova “graphite guitar”. Shows no condado de Bromley Delano, também na Inglaterra, atestam que ele estava em plena atividade e fazendo o possível para manter o grande número de fãs ingleses, ainda mais numa eminente possibilidade do Thijs Van Leer (com quem estava brigado) ressuscitar o velho Focus com outro guitarrista em seu lugar.

O que mais chamava a atenção nas composições dos líderes do Focus era a influência clássica. Todas as músicas, por mais experimentais ou rock que pareçam, sempre tiveram como base uma sólida formação erudita…(Leia mais…)


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Alex Saba

Tecladista, guitarrista, percussionista, compositor, arranjador e produtor com quatro discos instrumentais solo e um disco ao vivo com sua banda Hora do Rush, lançados no exterior pelo selo Brancaleone Records. Produziu e dirigiu programas para o canal TVU no Rio de Janeiro e compôs trilhas para esses programas com o grupo Poly6, formado por 6 tecladistas/compositores. Foi colunista do site Baguete Diário e da revista Teclado e Áudio.
www.alexsaba.com.br


Teclas & Afins 62 - Bax & Chung

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