O lado “emotivo” do acorde dominante e os acordes avançados


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O acréscimo da sétima e da nona menor sobre o acorde dominante, de forma geral na harmonia e na música cristã, pode gerar um efeito muito sofisticado e surpreendente pelo poder que existe nos intervalos menores presentes


Quando se estuda harmonia, o acorde dominante é um dos primeiros a se aprender, juntamente com sua função de preceder a tônica em uma conclusão ou preparação. Isso acontece quando se trata de uma harmonia básica e previsível. Mas, quando a harmonia tem uma característica moderna, o caminho das progressões pode ser imprevisível. Sendo assim, o recurso que vamos aplicar aqui será proporcional à uma harmonia tradicional. Quando falo tradicional, digo que os encadeamentos serão basicamente em quartas, caminhando para um destino final previsível. Talvez soe musicalmente pobre quando se fala em algo previsível, mas, na verdade se espera ser surpreendido.


O título desse texto fala de emoção. Mas qual a ligação que se pode encontrar entre algo previsível e a emoção, uma vez que esse sentimento está ligado à surpresa de situações imprevisíveis? E mais uma pergunta: o que têm a ver a emoção e a imprevisibilidade da harmonia, causadas por um acorde, com a música gospel?


Gostaria de iniciar as respostas e abordagens pela segunda pergunta, com o objetivo de respaldar o motivo real desta seção de Teclas & Afins. Como estamos falando de um acorde que pode mudar a intenção emocional de uma simples música, precisamos entender, no meio religioso, qual o real significado disso, e como fazer isso de forma que não fuja do estilo de música de culto – em que a cantabilidade é valorizada e que, se apelarmos demais para as rearmonizações e dissonâncias, o propósito pode ser desvirtuado. Vamos falar do poder escondido entre os acordes de uma progressão previsível, o poder de rearmonização iminente. Os acordes de passagem e (ou) substituição presentes no jazz são os que podemos usar para surpreender.



A emoção na música gospel

Quando se fala em emoção no âmbito religioso, é possível pensar que existe a intenção de forçar ou induzir um sentimento em favor de uma crença para se conseguir dos fiéis o que se quer. No entanto, a emoção é um atributo humano, um sentimento que não se pode desassociar da tricotomia humana que, segundo a Bíblia e a ciência, é corpo, alma e espírito. Podemos ver nas escrituras sagradas, relatos de manifestação da emoção humana relacionada à música.

Quero citar alguns exemplos de situações tanto de alegria como de tristeza. Temos dois exemplos para casos de alegria. O primeiro foi quando Deus deu a vitória a seu povo (o povo Judeu ou de Israel) abrindo o Mar Vermelho, fazendo-os passar a pés enxutos, e na sequência, destruindo o exército egípcio nas mesmas águas. Após essa vitória, Miriã, a irmã de Moisés e Arão, que eram líderes do povo, dançou de alegria diante de todos tocando um tamborim. Confira o texto bíblico:


“Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamborins e dançando. E Miriã lhes respondia, cantando: “Cantem ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro”.

Êxodo 15:20-21

A segunda situação de alegria foi também depois de um acontecimento muito importante, quando a Arca da Aliança (ou Arca do Senhor), que para o povo de Israel representava a presença de Deus, depois de muito tempo afastada, estava de volta, e por isso, o rei Davi também dançou diante do povo de forma tão espontânea que chegou a ser criticado por sua atitude pela própria esposa. Segue o texto bíblico:


“Davi, vestindo o colete sacerdotal de linho, foi dançando com todas as suas forças perante o Senhor, enquanto ele e todos os israelitas levavam a arca do Senhor ao som de gritos de alegria e de trombetas.”

2 Samuel 6:14-15

O conhecido Livro dos Salmos é, na verdade, um hinário da nação de Israel, onde se pode encontrar cânticos alegres e tristes, de adoração e de lamento, e é onde vamos encontrar um relato do povo de Israel, quando estavam cativos na babilônia como escravos e se recusavam a cantar pelo fato de estarem longe de sua terra natal, uma situação trágica. Veja o Salmo:


“Junto aos rios da Babilônia nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião. Ali, nos salgueiros, penduramos as nossas harpas. Como poderíamos cantar as canções do Senhor numa terra estrangeira?”

Livro dos Salmos 137: 1,2,4

A música é um veículo de comunicação social e também de adoração, e naturalmente, como é feita por homens, surge com uma carga muito grande de emoção. Essa emoção pode levar pessoas a manifestarem coisas que vão além da compreensão humana, e uma prova disso é o que acontece com alguns estilos agressivos de música que podem levar a um estado de êxtase. Mas isso não está ligado a um poder sobrenatural vindo do estilo musical, mas ao nível de entrega da pessoa, o quanto de vasão alguém dá às suas próprias emoções. É uma questão pessoal e que depende do temperamento, do estado de espírito ou até mesmo do costume cultural de um povo.

Por outro lado, temos o caso da música oriental com a escala pentatônica e as harmonias suspensas, muito usada para meditação, pois proporciona uma sensação de paz e que leva à diminuição dos batimentos cardíacos, causando um relaxamento do corpo. Da mesma forma que a música agressiva, que foi citada anteriormente, tudo depende do nível de entrega do indivíduo para se submeter e aceitar tal influência musical.

Trazendo esse assunto para os dias atuais, dentro das igrejas, não se pode criticar ou dizer que é errado quando alguém usa na música recursos que estimulam algum sentimento, seja de alegria, tristeza ou melancolia, pois isso é humano. Desde a melodia com notas dissonantes e (ou) acentos rítmicos indicando qual deve ser a dinâmica à harmonia com acordes cheios de tensões consonantes ou dissonantes que nos remete a sentimentos de agitação ou de calmaria, alegria ou tristeza.

E já que falamos em dinâmica, essa palavra está relacionada ao nível de força que o músico deve aplicar sobre uma nota. Ainda relacionado à dinâmica, temos a intensidade, que é uma das características do som referente à energia com que a onda sonora atinge nossos ouvidos. Acredito que não seja necessário comentar o quanto alguém pode se sentir incomodado ou confortável com algum tipo de som…


Para aprender como utilizar na música gospel os acordes de dominante enriquecidos, leia a íntegra da coluna de Andersen Medeiros na edição 57 da revista digital gratuita Teclas & Afins clicando aqui!


Andersen Medeiros

Andersen Medeiros é pianista, arranjador e compositor, iniciou seus estudos de piano clássico no curso de extensão da UFAL – Universidade Federal de Alagoas, em seguida migrou para o estudo do piano moderno, em 2010 e 2013 foi palestrante do Congresso de louvor e adoração – LOUVAÇÃO para músicos em igrejas do Estado de Alagoas. Em 2014, em viagem missionária à Cuba teve participação na orquestra norte americana “Celebration” conduzida pelo maestro Camp Kirkland. Hoje, atua como professor do site PianoFlix, uma plataforma de ensino para piano solo e acompanhamento por ouvido. Ensina piano online por skype à alunos no Brasil e no exterior, pianista e líder de músicos na Igreja evangélica Batista El Shaddai em Maceió a mais de 18 anos, e pianista da banda TLB – The Last Band, um projeto embrionário de jazz moderno.


Teclas & Afins 60 - Amilton Godoy Trio

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