Do vinil ao mp3: uma curta história


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Apesar de haver outros codecs para disponibilizar arquivos de áudio online, 98% das músicas na web são oferecidas em formato mp3

Atualmente, milhões de arquivos MP3 são baixados ou acessados por streaming na Internet todos os dias e “mp3” se tornou a palavra mais pesquisada nos motores de busca depois de “sexo”. Mas, como saímos do vinil e chegamos ao mp3? Bem, embora seja uma longa história, tudo aconteceu em um breve relance, quase que num piscar de olhos em termos históricos. Para ir à raiz da questão, os primórdios da história do mp3 remonta ao ano 1970, quando o professor Dieter Seitzer, da Universidade Erlangen Nuremberg, na Alemanha, inicia um grupo de pesquisa em codificação de áudio para tentar resolver o problema de transmitir fala em alta qualidade através de linhas telefônicas.

Prof. Dieter Seitzer

Mas foi nos anos 90, após pouco mais de 20 anos de pesquisa e desenvolvimento, que o mp3 chegou à grande massa para causar não uma, mas várias revoluções, e se tornar “o arquivo predominante” para música online. Aliás, a década de 1990 foi muito louca para a indústria musical. De repente, o analógico era digital, as fitas eram CDs e em pouco tempo viraram arquivos mp3 e CD-Rs gravados em PCs.

Nos bastidores, engenheiros agitados quase saiam no tapa quando o assunto era sobre o bom e velho analógico versus o novo e assustador digital. Mas, por mais que a maioria dos especialistas de áudio da época tenha reprovado a qualidade do novo e profetizado que o digital jamais substituiria o analógico, as mil vantagens do digital se impuseram e a coisa veio feito um tsunami. De repente, o sonho da gravação começou a virar realidade para uma multidão de músicos em home studios de baixíssimo orçamento, e a tal perda de qualidade que os especialistas apontavam eram um detalhe irrelevante. A revolução do áudio digital, que já havia começado na década de 1980 nos grandes estúdios, durante os 90 se tornou uma realidade popular.

Essa nova tecnologia ignorava as limitações anteriormente conhecidas do mundo analógico, e os discos compactos cederam espaço para álbuns mais longos, ao mesmo tempo em que o processamento digital permitia que os produtores alterassem o tom não apenas dos instrumentos, mas também dos vocais, afinando quando preciso e adicionando um brilho sem precedentes a suas mix finais. Mas, o que poucos especialistas sabiam naquela época é que o mundo estava à beira de mais um avanço cultural e tecnológico, que vinha sendo desenvolvido há pelo menos cinco anos no Instituto Fraunhofer da Alemanha.

Em 1987, o instituto recebeu um pedido para desenvolver um método de compressão digital de sinais de áudio e vídeo para serem transmitidos com maior velocidade em redes de computador que, na época, tinham uma capacidade bem limitada. Os físicos alemães, que não são nada bobos, desenvolveram um algoritmo que removia dados “redundantes” de frequências que o ouvido humano não é capaz de captar. Isso permitiu reduzir significativamente a quantidade de informações transmitidas. Em 1992, a tecnologia foi patenteada pelo Moving Picture Experts Group como um padrão de compressão de vídeo MPEG-1, e o mp3 como um algoritmo de compressão auxiliar para arquivos de áudio com perda mínima de qualidade.

É claro que, mais uma vez, os especialistas do áudio profissional zombaram da ideia, acharam o mp3 imprestável e disseram que aquilo não podia dar certo nunca. A verdade é que a maioria dos especialistas não fazia nem ideia de que aquele ano de 1999 se tornaria um marco na história da música online, considerado o início de uma nova era da “pocket music”. (Leia o artigo completo de Jobert Gaigher na edição 90 de Teclas & Afins, clicando aqui!)

Jobert Gaigher

Músico, compositor, educador musical, produtor cultural, blogueiro e consultor de marketing para os mercados de áudio e música, é especialista da linha NORD no Brasil desde 2008. Entre os anos de 2001 a 2003 foi gerente técnico da Quanta Service, e então mudou-se para Londres, participando de várias gravações em estúdio e performances ao vivo em festivais e eventos no Reino Unido, Espanha e Itália. Em 2008 retornou ao Brasil, quando idealizou e passou a coordenar o Sistema e-SOM para a Quanta Educacional, sistema multimídia para aulas de educação musical que foi pré-qualificado pelo MEC e incluso no Guia Nacional de Tecnologias Educacionais. www.jobert.info

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