A harmonia quartal na música de McCoy Tyner


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Os estudos deste post são dedicados à maneira do pianista McCoy Tyner utilizar a harmonia quartal, seja do ponto de vista harmônico, seja do ponto de vista melódico. É claro que não se trata de uma exposição exaustiva do estilo de McCoy Tyner, algo para o qual seria preciso escrever páginas e páginas, quiçá um livro inteiro. Mas, certamente, essa pequena contribuição pode despertar o interesse ou “acender uma luz” sobre esse assunto.

McCoy Tyner

No jazz, a harmonia quartal surgiu na década de 1950. Naquela época, a tradicional harmonia por terças, exata em sua “ciência”, foi substituída por algo bem mais aberto a ambiguidades sonoras. Os acordes por quartas permitiam deixar a harmonia mais “aberta”. Os instrumentistas iniciaram uma exploração do material quartal que levava a resultados diferentes, de acordo com a manera de usá-lo. Isso favorecia o desenvolvimento de “sonoridades” pessoais, algo pelo qual os jazzistas sempre prezaram.

Nesse contexto se insere a estética do pianista McCoy Tyner, que desenvolveu uma linguagem harmônico-melódica bastante peculiar e que, nas décadas seguintes, se tornou uma referência importante para muitos pianistas de jazz. McCoy é o pianista que primeiro chega à minha mente quando penso em harmonia quartal! Sua composição “Passion Dance” é um ótimo exemplo do uso das quartas no jazz, tanto melódica quanto harmonicamente.

Na primeira parte da década de 1960, o quarteto de John Coltrane, com McCoy Tyner ao piano, explorou copiosamente a harmonia quartal e suas combinações harmônico-melódicas, dando vida a discos como Impressions, My Favorite Things e A Love Supreme, este último considerado a obra máxima do quarteto de Coltrane. É importante observar que, de forma diferente do que acontece na tradicional harmonia por terças, a harmonia quartal oferece mais de uma maneira de harmonizar o mesmo acorde. É o que vamos observar a seguir. Na edição 85 de Teclas & Afins, vimos, por exemplo, a harmonização da escala dórica com cinco notas, como mostra o exemplo a seguir:

Harmonização da escala de Dó dórico com cinco notas

À frente da harmonização vista, pode-se observar uma outra maneira de realização por quartas, como praticada pelo pianista McCoy Tyner. Vejamos o exemplo a seguir.

Harmonização da escala de Dó dórico com cinco notas no estilo de McCoy Tyner

Uma das características interessantes oferecidas pela harmonia quartal é a criação de acordes que contêm intervalos de segunda maior. Esses são obtidos pela inversão do acorde inicial:

McCoy Tyner explorou bastante as inversões dos acordes quartais, por exemplo da forma contida na figura abaixo.

Uma característica interessante a ser observada é que a harmonia quartal está fortemente ligada às escalas pentatônicas. Sobre todos os acordes apresentados neste artigo é possível utilizar a escala de Cm pentatônico! No vídeo, ofereço alguns exemplos desse emprego.

A Técnica do “Outside”

Certamente, uma das características peculiares da música de McCoy Tyner foi a que ganhou o nome de “outside”, uma maneira de “sair da tonalidade”, ou “sair da escala” para, logo em seguida, voltar a ela. A técnica consiste em tocar pequenos trechos melódico/harmônicos um semitom acima ou abaixo do “normal” para, em seguida, retornar à escala e aos acordes “certos”…

Para ler todo o artigo de Turi Collura e conhecer mais sobre a harmonia quartal na música de McCoy Tyner, acesse a edição 86 da revista digital gratuita Teclas & Afins, clicando aqui!

Turi Collura

Pianista, compositor, atua como educador musical e palestrante em instituições e festivais de música pelo Brasil, Estados Unidos e Europa. Turi é Coordenador Pedagógico do site www.terradamusica.com.br onde ministra os cursos online de “Piano Blues & Boogie”, “Improvisação e Composição Melódica”, “Harmonia Aplicada à Música Popular” e “Linguagem e Percepção Musical”. Autor dos métodos “Rítmica e Levadas Brasileiras Para o Piano” e “Piano Bossa Nova”, tem se dedicado ao estudo do piano brasileiro. É autor, também, do método “Improvisação: práticas criativas para a composição melódica”, publicado pela Irmãos Vitale. Em 2012, seu CD autoral “Interferências” foi publicado no Japão. Seu segundo CD faz uma releitura moderna de algumas composições do sambista Noel Rosa.
www.turicollura.comwww.terradamusica.com.br

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