Entre cromatismos, escalas de bebop e aproximações melódicas, os enclosures revelam como pequenos ornamentos podem transformar frases simples em linhas de improvisação mais fluidas, sofisticadas e ritmicamente expressivas no jazz
Na maior parte das vezes em que o músico de jazz realiza movimento escalar, o faz de forma descendente e especificamente pensando em uma das escalas de bebop mencionadas anteriormente. O movimento ascendente corresponde a apenas uma fração do movimento melódico e geralmente, quando aparece, é realizado por arpejos. Sendo assim, tipicamente o movimento melódico consiste majoritariamente em movimento escalar descendente com alguns arpejos ascendentes:

Enclosures
Os enclosures são notas de aproximação melódica dupla, mas que partem de direções distintas/contrastantes. Abaixo estão dois exemplos. O primeiro mostra uma sequência de notas do acorde de C (esquerda); o segundo mostra a mesma sequência com as notas preparadas com enclosures.


No exemplo, as notas do acorde são sempre preparadas por suas notas vizinhas diatônicas (da mesma escala), uma delas acima e outra abaixo. No entanto, na pedagogia do jazz, tipicamente são considerados enclosures apenas aqueles que envolvem a aproximação cromática. No entanto, alguns teóricos consideram enclosures quaisquer aproximações, sejam diatônicas ou cromáticas. Por isso, vamos observar aqui todos os exemplos possíveis envolvendo cromatismos e notas diatônicas.
Superior diatônica e inferior diatônica

Superior cromática e inferior diatônica

Superior diatônica e inferior cromática

Superior cromática e inferior cromática

Os enclosures também podem estar conectados ao uso de movimento escalar (escala de bebop), iniciando ou finalizando uma série de notas de graus conjuntos. Segue um exemplo em que ambas as situações ocorrem (o enclosure preparando a escala de bebop e depois servindo como ponte para finalizar a escala e conectá-la com o próximo acorde).




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Adolfo Mendonça

Pianista, educador musical e pesquisador especializado na pedagogia do jazz e improvisação, descrito pela revista americana JAZZIZ (Winter 2024) como “brilhante músico que evoca Chick Corea em sua fase mais lírica”. Professor de música da American University in Cairo (Egito); ex-Diretor de Estudos do Jazz da University of Minnesota (Morris, EUA); ex-professor do Conservatório Municipal de Guarulhos. Mestre em performance de jazz pela University of South Florida (EUA). Realizou concertos em festivais e jazz clubs nos Estados Unidos, França, Egito, México, Chile e Brasil. Colaborou gravando/tocando com músicos como Randy Brecker, Romero Lubambo, Clarice Assad, Remy Le Boeuf, dentre diversos outros. Autor do álbum Brazilian Childhood (2023), disponível no Spotify.
www.adolfomendonca.com

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