Como é que se toca mesmo?


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Estratégias para o aprendizado e a memorização de temas de jazz e de música brasileira


Como é aquela música? Como é que se toca mesmo? Essas são frases comuns que recaem em alguma situação sobre músicos que tocam “decor”. Memorizar um repertório extenso não é uma tarefa fácil, porém é uma habilidade que ajuda muito o músico a se estabelecer como bom profissional. Além do fato de não precisar de partituras o tempo todo, tocar de memória e com um bom entendimento estrutural da música auxilia exponencialmente na execução e na interpretação.

No jazz e na música brasileira instrumental (também chamada de Brazilian Jazz em muitos lugares do mundo), há uma grande tradição em relação à maneira de se tocar, improvisar, harmonizar e criar performances únicas e criativas em tempo real. Além de possuir tais habilidades, é comum e esperado que o músico jazzista conheça grande parte do repertório tradicional do estilo e que consiga tocá-lo de memória. Isso propicia que ele possa tocar com músicos diferentes, em várias situações, em diferentes tonalidades e sem a necessidade de ensaio prévio.

Essa prática se popularizou durante a ascendência do estilo bebop nos Estados Unidos, na década de 1940, quando os músicos das big bands se reuniam em night clubs depois de suas apresentações e participavam de jam sessions (a popular “canja” dos músicos). Nessas jam sessions, não havia tempo para ensaios e nem partituras para todo mundo, então era esperado que o músico soubesse tocar de memória, e muitas vezes, conseguisse transpor as músicas para diversas tonalidades com facilidade.

Para o estudante de jazz, é muito importante a aquisição de repertório, não apenas para aplicá-lo nas performances ao vivo, mas também para auxiliar no próprio aprendizado do vocabulário jazzístico e da música brasileira. Mas um grande desafio de vários estudantes é como memorizar as músicas de forma eficaz e ser apto a transpô-las para diferentes tonalidades com facilidade.

Neste artigo, vou expor algumas técnicas para fragmentar o aprendizado de novas músicas e auxiliar na memorização de melodias e harmonias de forma funcional. Para isso, vamos fazer os exercícios utilizando a música “The Days Of Wine And Roses” (Henry Mancini) como exemplo. A meta com esse passo a passo é potencializar o entendimento e a internalização auditiva de pequenas estruturas musicais que são fáceis de transpor para as demais tonalidades e estão presentes em grande parte do repertório jazzístico e da música brasileira.

É sempre recomendável o estudo de harmonia funcional, escalas e intervalos para ajudar neste processo, porém, mesmo os músicos iniciantes (talvez principalmente) irão se beneficiar desta maneira de estudar. Elementos básicos para o auxílio da memorização Como suporte para o melhor entendimento dos exercícios, sugiro que o músico estude e pratique os elementos estruturais básicos, como intervalos, escalas, montagem de acordes e harmonia, a fim de reconhecer analiticamente e auditivamente padrões musicais com mais facilidade. Algumas habilidades principais que auxiliam na memorização são:

  • reconhecimento auditivo dos intervalos melódicos;
  • reconhecimento auditivo das cinco formas básicas de acordes tétrade (maior, menor, dominante, meio-diminuto e diminuto); e

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    Thito Camargo

    Pianista, compositor, arranjador e educador com foco em música popular brasileira e jazz. É bacharel em Música Popular pela UNICAMP e mestre em Jazz Performance pelo College-Conservatoire of Music – University of Cincinnati nos Estados Unidos. Por longo período foi músico ativo na cena musical do interior de São Paulo e capital, e desde 2015 atua nos Estados Unidos se apresentando, gravando e ministrando cursos de piano popular e prática de música brasileira para conjuntos em diversas instituições americanas. Como sideman, colaborou com artistas de jazz de renome internacional, como o baixista Christian McBride, o trompetista Etienne Charles e o saxofonista Jesse Jones além de liderar seu próprio trio de jazz brasileiro, Braza Trio, com quem se apresenta nos Estados Unidos. Thito também ministra cursos online de piano clássico, piano jazz, harmonia e improvisação jazzística e estilos de música brasileira.

    www.thitocamargo.com

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