Sebastiana, de Diogo Monzo


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O pianista, compositor e arranjador Diogo Monzo lança seu quinto álbum, instrumental e autoral, em que explora ritmos brasileiros

Com a intenção de desenvolver pequenos temas a partir de ritmos brasileiros, como baião, frevo, maracatu, samba e choro, entre outros, Diogo Monzo se dedicou à tarefa de compor as faixas de seu novo trabalho, Sebastiana, que se divide em performances de trio (piano, baixo e bateria), duo (piano/contrabaixo e piano/ violão) e piano solo, formato no qual apresenta uma música inédita de Luiz Eça, pianista e compositor que estuda há anos e que o influencia musicalmente.

O título do álbum é uma homenagem à avó do pianista: “Em janeiro de 2021, às vésperas da gravação deste álbum, perdi minha avó. Batizar o álbum de Sebastiana é um gesto de carinho, de gratidão e de reconhecimento a ela. Minha avó foi uma mulher que sofreu com um casamento abusivo do qual decidiu sair, sofrendo resistência da família e contando com alguns poucos amigos para enfrentar desafios e sustentar seus filhos. É um trabalho sobre liberdade, respeito ao próximo, sobre ter o direito de ser. Carrego isso muito forte dentro de mim, fruto das influências que recebi, da história de vida da minha avó. Pena ela ter falecido antes de ver essa singela homenagem. Ela teria dito: ‘Ah, Diogo, você é doido, mesmo’.”

O projeto traz convidados como o baterista Di Stéffano, o baixista Bruno Rejan e a violonista Roberta Mourim. Monzo é doutorando em música pela UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), sob a orientação do professor Dr. Clifford Hill Korman e foi selecionado entre os Top 5 no Made in New York Jazz Competition, além de ter figurado entre os melhores instrumentistas do ano de 2015 no site Melhores da Música Brasileira”, pelo disco Meu Samba Parece Com Quê?; e, em 2018, pelo disco Diogo Monzo Filho do Brasil, lançado pela gravadora Biscoito Fino. O músico também lançou o CD Luiz Eça por Diogo Monzo pela gravadora Fina Flor, o CD Hinos Tradicionais Sob Uma Nova Concepção e o livro Hinos Tradicionais Sob Uma Nova Concepção. Conversamos com o pianista e compositor que nos contou detalhes sobre Sebastiana e o momento em que o trabalho foi concebido.

Como surgiu a vontade de compor e não apenas interpretar músicas de outros autores?

Durante o isolamento causado pela pandemia, consegui ter tempo para voltar a ouvir música. E uma coisa que ouvi e de que gosto muito em Chick Corea é que ele compunha e tocava as próprias músicas. Pensei: “Cara, acho que vou fazer isso agora, vou começar a compor e tocar”. Mas pensei: “Como quero fazer isso?”. Decidi que queria fazer com música brasileira, com ritmos brasileiros, mas do meu jeito. Por exemplo, se vou tocar um baião, quero fazer com as influências que tenho, que são de piano erudito e de piano popular, misturando tudo. Com os improvisos, consigo misturar bastante. Mas as melodias surgiram muito influenciadas por essa coisa de querer compor e tocar minhas próprias músicas, porque eu vinha numa batida, nos últimos anos, só interpretando, tocando Luiz Eça, o Filho do Brasil… Aí compus essas novas músicas e tenho outras que estou colocando no repertório. Voltando a fazer concertos, porque a gente já está com uma agenda, vou começar a tocar minhas músicas, é uma nova fase.


Como é seu processo de composição? Ele parte dos ritmos?

Sou mais improvisador do que compositor, e isso é um problema, às vezes, para compor. Na improvisação, a gente toca muito e as coisas vão embora. Não é que a gente não tenha cuidado, mas não está preocupado com aquela coisa que vai ficar, ou trabalhar os detalhes. Quando você vai compor uma melodia, já fica um pouco mais fixado no resultado daquilo. Na improvisação, você não fica tão focado no resultado. O processo, primeiramente, foi vencer um pouco essa coisa. Eu, por exemplo, pensava “quero fazer um baião” e não “o que é isso?”. Aí eu começava a tocar piano e ficava tudo muito improvisado. Comecei a ir construindo melodias. Então, às vezes eu passava uma manhã inteira fazendo uma parte A, e gravava no celular, porque eu ainda estava muito em cima dessa coisa improvisada. Ou então eu fazia primeiramente uma harmonia, por exemplo. E vinha tocando… Então foi muito assim: às vezes eu fazia uma harmonia e tocava em cima, ia improvisando e tirando essas melodias. E ia gravando tudo. E, às vezes, eu pegava uma parte dessa gravação, essa parte daquela, uma parte daquela outra… Então foi uma coisa muito experimental. Às vezes, eu pegava uma melodia e depois rearmonizava. Às vezes, eu fazia a harmonia, depois a melodia e depois poderia mudar a harmonia. Foi indo assim… E há duas músicas em parceira, uma com o Di Stéffano e outra com a Roberta Mourim. Eu mostrei o baião para o Di Stéffano, o “Trasantonte”, porque ele é um baterista do Nordeste, e tem muito essa coisa de tocar esses ritmos. E aí ele falou: “ mas nesse B você poderia estender”, e sugeriu uma melodia. Gostei e juntei. Então foi muito assim. Começou muito com improviso, fui gravando tudo e aí eu ia tirando e juntando as peças. Dessa gravação gostei mais do início dessa melodia, desta outra gostei mais desse… Foi um processo meio que de laboratório, de ir experimentando, porque não é muito minha praia compor, ainda! (risos). Acabo improvisando mais, então tentei ir gravando os improvisos e pegando essas melodias. E depois fui tratando os detalhes: essa melodia termina melhor neste acorde, essa fica melhor com esse e meio que foi assim. É uma mistura de uma coisa um pouco intuitiva com uma coisa pensada, porque você vai gravando. Hoje em dia há essa facilidade. Demorei uns 5 meses só para compor essas músicas, então, foi demorado. (continua na Edição 90 da revista digital Teclas & Afins…)

Para ler a entrevista completa com Diogo Monzo, e saber os detalhes da gravação de Sebastiana, acesse a Edição 90 de revista digital gratuita Teclas & Afins, clicando aqui!

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